quarta-feira, 10 de julho de 2013

O CENÁRIO EDUCACIONAL BRASILEIRO FRENTE AOS DESAFIOS SOCIAIS




Olhando para o cenário educacional brasileiro atual vê-se que nosso país avançou muito, em se tratando de oferta do ensino. Há tempos atrás, a educação escolar era para poucos. A oportunidade de ir a escola foi por muitas pessoas, crianças, adolescentes, jovens e adultos, trocada por oportunidades de trabalho. Pois, a necessidade e o sustento da família são mais importantes.
Esta realidade ainda é a de muitas famílias brasileiras, principalmente famílias nordestinas. Onde o índice de analfabetismo e do trabalho infantil é o maior de todo país. Devido os graves problemas oriundos da seca, os pais, os quais não tiveram oportunidade de estudar, são obrigados a colocarem os filhos no trabalho, impedindo-os de frequentar a escola.
Mesmo, o Estado ajudando as famílias com benefícios financeiros, tornando obrigatória a frequência escolar. Mesmo ofertando transporte público a estudantes de localidades longínquas, crianças e adolescentes estão sujeitos ao trabalho, para ajudar em casa.
Em se tratando dos desafios sociais que o país enfrenta na atualidade, verifica-se que estes ainda impedem o país avançar no sistema educacional. Acredito na capacidade transformadora da educação, capaz de mudar a realidade social. Por outro lado, penso que há muito trabalho a se fazer contra a exploração infantil.
É verdade que não se extermina a miséria, mas com políticas públicas podem-se amenizar muitas situações de vulnerabilidades das famílias brasileiras, principalmente as nordestinas. Não se trata de dar “dinheiro”, mas de buscar mecanismos, meios que venham a tornar essas famílias protagonistas de sua própria história.
Tal trabalho, de protagonismo, pode ser realizado pela própria educação escolar, mas que seja uma educação, como dizia Freire emancipadora. Não uma escola onde os conteúdos e a decoreba prevalecem, mas uma escola capaz de abrir as portas para o mundo, para interpretação e a ação. Onde o individuo vai de encontro a sua realidade, e ali ele a problematiza, discute e luta por mudanças. Concordando com Paulo Freire acredito que “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” 

Por: Wesley Brunno Silva do Nascimento Gomes
Licenciado em Pedagogia - UnB