Olhando
para o cenário educacional brasileiro atual vê-se que nosso país avançou muito,
em se tratando de oferta do ensino. Há tempos atrás, a educação escolar era
para poucos. A oportunidade de ir a escola foi por muitas pessoas, crianças,
adolescentes, jovens e adultos, trocada por oportunidades de trabalho. Pois, a
necessidade e o sustento da família são mais importantes.
Esta
realidade ainda é a de muitas famílias brasileiras, principalmente famílias
nordestinas. Onde o índice de analfabetismo e do trabalho infantil é o maior de
todo país. Devido os graves problemas oriundos da seca, os pais, os quais não
tiveram oportunidade de estudar, são obrigados a colocarem os filhos no
trabalho, impedindo-os de frequentar a escola.
Mesmo,
o Estado ajudando as famílias com benefícios financeiros, tornando obrigatória
a frequência escolar. Mesmo ofertando transporte público a estudantes de
localidades longínquas, crianças e adolescentes estão sujeitos ao trabalho,
para ajudar em casa.
Em
se tratando dos desafios sociais que o país enfrenta na atualidade, verifica-se
que estes ainda impedem o país avançar no sistema educacional. Acredito na
capacidade transformadora da educação, capaz de mudar a realidade social. Por
outro lado, penso que há muito trabalho a se fazer contra a exploração
infantil.
É
verdade que não se extermina a miséria, mas com políticas públicas podem-se
amenizar muitas situações de vulnerabilidades das famílias brasileiras,
principalmente as nordestinas. Não se trata de dar “dinheiro”, mas de buscar
mecanismos, meios que venham a tornar essas famílias protagonistas de sua
própria história.
Tal
trabalho, de protagonismo, pode ser realizado pela própria educação escolar,
mas que seja uma educação, como dizia Freire emancipadora. Não uma escola onde
os conteúdos e a decoreba prevalecem, mas uma escola capaz de abrir as portas
para o mundo, para interpretação e a ação. Onde o individuo vai de encontro a
sua realidade, e ali ele a problematiza, discute e luta por mudanças.
Concordando com Paulo Freire acredito que “não basta saber ler que Eva viu a
uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social,
quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.”
Por: Wesley Brunno Silva do Nascimento Gomes
Licenciado em Pedagogia - UnB
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